Jackson Cionek
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DREX CIDADÃO CHILENO: moeda metabólica para distribuir existência e proteger o bioma

DREX CIDADÃO CHILENO: moeda metabólica para distribuir existência e proteger o bioma

Quando eu falo em DREX CIDADÃO, muita gente pensa que estou falando “só” de dinheiro digital.
Não é isso.
Eu estou falando de um direito diário de existir:
uma moeda metabólica, depositada diretamente no corpo social, para garantir que ninguém precise vender sua saúde, sua água ou seu território para poder comer hoje.
No Brasil, o termo DREX foi adotado pelo Banco Central para o projeto de moeda digital de banco central (CBDC) em testes. Eu pego esse nome, viro do avesso e proponho outra coisa:
  • não uma infraestrutura para reforçar o mesmo sistema de crédito e lucro dos 01s;

  • mas um Direito de Existência distribuído em micropulsos diários, que funcionam como oxigênio circulando no corpo social.

Quando eu falo de DREX CIDADÃO CHILENO, eu estou dizendo:
o Estado chileno pode emitir uma moeda digital, pública e metabólica, para garantir um fluxo básico de existência e, ao mesmo tempo, proteger o bioma e reorganizar a economia a partir do Bem-Viver Metabólico.


O foco deste texto

De tudo que eu poderia detalhar (tecnologia, blockchain, arranjos de pagamento, bancos), eu escolho um ponto só:
DREX CIDADÃO não é “benefício assistencial”; é infraestrutura metabólica da democracia.
É o oxigênio mínimo para que corpos possam permanecer em Zona 2 e participar do Quorum Sensing Humano.
Sem isso:
  • pessoas vendem o futuro em troca de sobreviver ao presente;

  • biomas são sacrificados em nome de qualquer emprego;

  • a democracia vira escolha entre diferentes ritmos de exaustão.

Com isso:
  • ninguém precisa passar fome para recusar trabalhos destrutivos;

  • territórios podem dizer “não” a projetos que matam rios e florestas, sem cair no desespero;

  • a política deixa de ser administração da escassez para virar organização da fruição com responsabilidade.




CBDC, renda básica e o que o mundo já está testando

Antes de explicar o meu DREX CIDADÃO, eu olho brevemente para o que já existe.
Vários bancos centrais estão estudando ou pilotando moedas digitais de banco central (CBDCs):
  • o Banco Central Europeu discute o euro digital, com foco em pagamentos de varejo seguros, offline em alguns casos, e com forte proteção de dados;

  • o Banco Central do Brasil vem testando o DREX em uma plataforma que integra contratos inteligentes e tokenização de ativos, pensando em eficiência do sistema financeiro e inclusão;

  • países como China (e-CNY), Bahamas (Sand Dollar) e outros já implementaram ou testam versões de CBDC voltadas para pagamentos, inclusão financeira e maior controle macroeconômico.

Ao mesmo tempo, há décadas se discute a ideia de renda básica / basic income:
  • experiências de transferências incondicionais em países diversos mostram efeitos positivos sobre bem-estar, saúde mental, redução de estresse financeiro e até aumento de participação social;

  • debates mais recentes ligam renda básica à transição ecológica, sugerindo que um piso de segurança econômica pode permitir rejeitar trabalhos ambientalmente destrutivos e investir em formas de vida menos intensivas em carbono.

O que eu faço é cruzar essas duas coisas com os meus conceitos:
  • CBDC como infraestrutura técnica,

  • renda básica como infraestrutura metabólica,

  • Mente Damasiana + Zona 2 + QSH + Bem-Viver Metabólico como bússola.

Dessa interseção nasce o DREX CIDADÃO CHILENO.


O que é DREX CIDADÃO na minha proposta

Eu defino DREX CIDADÃO como:
uma moeda digital pública, de emissão do Banco Central, creditada diariamente e de forma incondicional a todas as pessoas reconhecidas como cidadãs ou residentes com direitos, com valor suficiente para garantir existência básica em cada bioma, indexada à saúde do território.
Alguns pontos fundamentais:
  1. É diária, não mensal.

    • Assim como o corpo recebe oxigênio a cada batida, a sociedade recebe DREX CIDADÃO a cada dia.

    • Isso reduz ansiedade de longo prazo e a necessidade de recorrer a crédito predatório entre uma parcela e outra.

  2. É digital, mas não é vigilância totalitária.

    • Há proteção forte de privacidade, limites de rastreio, desenho laico DANA de dados (voltarei a isso em outros textos).

    • O Estado vê o suficiente para garantir justiça e segurança, sem transformar cada compra em instrumento de controle ideológico.

  3. É metabólica, não é caridade.

    • O valor é definido por bioma e custo local de vida digna mínima, com participação de comunidades na calibragem.

    • Não é favor, é direito constitucional: ninguém deve ser condenado à miséria porque o sistema econômico não consegue criar “emprego formal suficiente”.

  4. É biocêntrica, não produtivista.

    • o desenho da moeda impede que ela seja usada para financiar diretamente destruição de biomas críticos;

    • há incentivos metabólicos para quem pratica atividades de cuidado ecológico e social.




DREX CIDADÃO, Zona 2 e corpos que podem dizer “não”

Eu sempre volto para o corpo.
Um DREX CIDADÃO bem desenhado faz algo que poucas políticas têm coragem de tocar:
ele devolve ao corpo o direito de dizer “não” sem morrer.
Sem esse direito, acontecem coisas que a gente conhece:
  • pessoas aceitam empregos tóxicos e perigosos porque não podem recusar;

  • comunidades aceitam mineradoras, barragens e monoculturas devastadoras porque “é isso ou fome”;

  • jovens se entregam a jornadas duplas, triplas, informais, extenuantes, enquanto a Zona 2 vira um luxo de poucos.

Com um fluxo garantido de DREX CIDADÃO:
  • um trabalhador pode recusar uma condição degradante;

  • uma comunidade pode dizer “não queremos esse tipo de projeto aqui, preferimos outro modelo”;

  • uma mãe solo pode dedicar uma parte do tempo a cuidar da própria saúde e dos filhos sem ser empurrada imediatamente para o desespero.

Do ponto de vista da Mente Damasiana:
  • isso aumenta o tempo possível em Zona 2,

  • reduz o estado de alerta tóxico da Zona 3 crônica,

  • e amplia a capacidade de participar de Comunicação Viva e de processos de democracia de QSH.

Não é “incentivo à preguiça”; é desintoxicação metabólica de uma economia que vive se alimentando do medo.


Como isso protege o bioma

O DREX CIDADÃO CHILENO não é neutro em relação ao território. Ele é ancorado no bioma.
Eu penso assim:
  • cada bioma (deserto, cordilheira, costa, floresta, cidades específicas) tem um mínimo metabólico necessário para uma vida digna;

  • o valor diário do DREX CIDADÃO é calculado levando em conta esse mínimo e ajustado com participação dos corpos-territórios locais;

  • ao mesmo tempo, uma parte da política fiscal e ecológica é reorganizada para taxar os fluxos que destróem biomas (mineração predatória, monoculturas agressivas, emissões desproporcionais) e realimentar a base DREX.

Além disso:
  • o próprio uso do DREX CIDADÃO pode ser incentivado em atividades de cuidado:

    • agricultura regenerativa,

    • restauração florestal,

    • cuidados comunitários,

    • educação, arte, cultura de base.

Não é moeda “verde-lavar de consciência”; é moeda que muda a lógica do possível:
  • se a sobrevivência básica não depende de destruir o rio,

  • a comunidade ganha espaço psíquico e econômico para escolher outras formas de prosperar.




Mas isso não gera inflação? E o trabalho?

Eu levo a sério essas objeções.
Há uma literatura crescente sobre renda básica, transferência incondicional e inflação / trabalho mostrando que:
  • em muitos experimentos, não houve explosão inflacionária, especialmente quando a política é bem comunicada, gradualmente implementada e financiada com ajustes fiscais estruturais;

  • as pessoas não deixam de trabalhar em massa; em vários casos, passam a escolher trabalhos menos abusivos, investir em educação, cuidar de familiares, empreender em pequena escala;

  • indicadores de saúde mental, segurança subjetiva e confiança social melhoram significativamente, o que é base para qualquer economia que queira inovar.

Na minha proposta, DREX CIDADÃO:
  • é articulado com política tributária progressiva e taxação de atividades de alto impacto ecológico;

  • substitui subsídios ineficientes, benefícios fragmentados e programas assistenciais que humilham o cidadão;

  • é monitorado por indicadores de Bem-Viver Metabólico, e não apenas por gráficos de inflação.

Quanto ao trabalho:
  • o DREX CIDADÃO não é feito para “apagar o trabalho”,

  • é para libertar o trabalho da chantagem da miséria.

Trabalhar deixa de ser “condição para não morrer” e passa a ser:
  • forma de contribuir,

  • de se expressar,

  • de ampliar fruição e criatividade,

  • em coerência com o bioma.




Como isso pode entrar na Constituição Chilena

Eu não quero que o DREX CIDADÃO seja apenas uma política de governo.
Eu quero que ele seja cláusula constitucional, difícil de capturar por ciclos eleitorais e pelos 01s.
Alguns elementos que eu colocaria:
  1. Reconhecimento do direito à existência econômica básica diária

    • um artigo claro dizendo que ninguém deve ser deixado sem meios para uma vida digna, independentemente da situação do mercado de trabalho;

  2. Autorização e obrigação de emitir moeda digital cidadã

    • o Banco Central é mandatado a operar uma infraestrutura de moeda digital voltada não só à estabilidade financeira, mas à estabilidade metabólica social e ecológica;

  3. Vinculação ao Bem-Viver Metabólico e aos limites ecológicos

    • o desenho do DREX CIDADÃO deve respeitar limites planetários e a proteção dos biomas chilenos;

  4. Participação territorial na calibração

    • conselhos de bioma, assembleias cidadãs e povos originários participam da definição de valores e critérios de ajuste;

  5. Blindagem contra captura privada

    • proibição de transformar o DREX CIDADÃO em derivativos financeiros ou garantia para crédito predatório de instituições privadas.




Proposta de artigo constitucional (rascunho em espanhol)

Artículo X – DREX Ciudadano Chileno como derecho metabólico
  1. Toda persona residente en el territorio nacional tiene derecho a un ingreso económico básico, suficiente para garantizar una existencia digna de acuerdo con las condiciones de su bioma, sin condicionamiento a la situación del mercado laboral ni a la pertenencia a programas asistenciales específicos.

  2. Para hacer efectivo este derecho, el Estado, a través del Banco Central, establecerá y gestionará una moneda digital pública de curso legal, el DREX Ciudadano Chileno, destinada a realizar transferencias directas, periódicas y universales a las personas beneficiarias.

  3. El diseño y la implementación del DREX Ciudadano Chileno deberán respetar los límites ecológicos del país, contribuir a la protección de los biomas y evitar la creación de estructuras de deuda que atenten contra el Buen Vivir Metabólico de las personas y comunidades.

  4. La determinación del valor, frecuencia y criterios de ajuste del DREX Ciudadano Chileno se realizará con participación de órganos democráticos, incluyendo asambleas territoriales, pueblos originarios y consejos de bioma, integrando conocimientos técnicos, saberes locales y la experiencia en primera persona de las comunidades.

  5. El DREX Ciudadano Chileno no podrá ser privatizado ni utilizado como instrumento de especulación financiera, y su gestión se regirá por principios de transparencia, protección de datos personales y respeto al Estado Laico DANA.




Sugestões de leitura comentadas

  1. BIS / Banco de Compensações Internacionais – relatórios sobre CBDCs (2020–2024)
    Comentam motivações, riscos e desenhos possíveis de moedas digitais de banco central, incluindo pagamentos de varejo, inclusão financeira e privacidade.

    Buscar por: “BIS report central bank digital currencies opportunities challenges 2020”


  2. Banco Central do Brasil – projeto DREX
    Descreve a arquitetura do DREX (plataforma, contratos inteligentes, tokenização) e objetivos de eficiência e inovação no sistema financeiro brasileiro.

    Buscar por: “Banco Central do Brasil Drex moeda digital plataforma”


  3. Banco Central Europeu – documentos sobre o euro digital
    Discutem desenho para pagamentos de varejo, privacidade, offline e complementaridade com o dinheiro físico.

    Buscar por: “ECB digital euro report 2023 retail CBDC privacy”


  4. Philippe Van Parijs & Yannick Vanderborght – Basic Income: A Radical Proposal for a Free Society and a Sane Economy
    Livro que sistematiza a ideia de renda básica incondicional, discutindo fundamentos éticos, econômicos e políticos.

    Buscar por: “Van Parijs Vanderborght Basic Income Radical Proposal 2017”


  5. Evelyn Forget – estudos sobre o experimento Mincome (Canadá)
    Analisa um experimento de renda mínima nos anos 1970, mostrando efeitos positivos em saúde, educação e trabalho.

    Buscar por: “Evelyn Forget Mincome basic income health outcomes”


  6. Guy Standing – Basic Income: And How We Can Make It Happen
    Discutem renda básica em contexto de precarização do trabalho e insegurança econômica global.

    Buscar por: “Guy Standing Basic Income how we can make it happen”


  7. Artigos sobre renda básica e transição ecológica
    Conectam renda básica a políticas de decrescimento, justiça climática e capacidade de recusar empregos ambientalmente destrutivos.

    Buscar por: “basic income ecological transition degrowth climate justice”


  8. Debates críticos sobre CBDC, privacidade e controle
    Analisam riscos de moedas digitais de banco central como instrumentos de vigilância ou exclusão, reforçando a necessidade de desenho ético e laico.

    Buscar por: “CBDC privacy surveillance civil liberties critique 2022 2023”







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