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Por que continuamos chegando depois do crime? - Eleições 2026 - candidatos à Presidência e planos de governo para Segurança Pública

Por que continuamos chegando depois do crime? - Eleições 2026 - candidatos à Presidência e planos de governo para Segurança Pública

Candidatos à Presidência 2026: planos de governo para Segurança Pública

Descrição para busca: O que Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos e os demais candidatos à Presidência propõem para Segurança Pública nas Eleições 2026? Conheça os planos de governo e a ampliação proposta pelo Corpo-Território e pela Neurociência Decolonial.

Segurança é uma das maiores preocupações de quem escolherá o próximo presidente do Brasil

Nas Eleições 2026, quem pesquisa o plano de governo de um candidato à Presidência da República provavelmente encontrará propostas sobre polícia, facções criminosas, fronteiras, prisões, inteligência, drogas, violência contra mulheres e prevenção.

Não é por acaso.

A violência tornou-se uma das principais preocupações do eleitor brasileiro. Pesquisas recentes colocam Segurança Pública no topo ou entre as maiores prioridades da população.

Ao mesmo tempo, existe um dado que parece contraditório: indicadores nacionais de homicídios melhoraram nos últimos anos, mas essa melhora não é vivida da mesma maneira por todos os brasileiros.

Alguns corpos continuam muito mais expostos à violência do que outros.

Alguns bairros continuam vivendo sob regras que não são as mesmas de outros bairros.

Algumas mulheres continuam reorganizando horários, roupas, caminhos e relações para evitar situações que colocam sua vida em risco.

Alguns jovens crescem aprendendo onde podem ou não circular.

Isso nos leva à pergunta que orienta este primeiro texto:

Por que continuamos chegando depois do crime?

Polícia, investigação, inteligência, prisão e Justiça são indispensáveis para um Estado capaz de responder à criminalidade.

Mas a perspectiva de Corpo-Território acrescenta uma pergunta anterior:

O que precisa acontecer antes do crime para que ele encontre menos condições para nascer, crescer, recrutar pessoas e controlar um território?


O que os candidatos à Presidência propõem para Segurança Pública nas Eleições 2026?

O Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza os documentos de propostas de governo apresentados pelas candidaturas à Presidência da República. (TSE Open Data Portal)

Até o encerramento dos registros, 13 nomes haviam apresentado candidatura à Presidência nas Eleições 2026: Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Augusto Cury, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Pablo Marçal, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Wilson Grassi. (Folha de S. Paulo)

As propostas são bastante diferentes.

O objetivo deste texto não é decidir qual candidato à Presidência possui o melhor plano de governo.

Primeiro apresentamos a direção de cada proposta.

Depois fazemos outra coisa:

perguntamos o que poderia ser acrescentado se Segurança Pública fosse pensada também a partir do Corpo-Território.


Lula — candidato à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à Presidência pelo PT, aposta principalmente em maior coordenação federal, inteligência integrada, controle de fronteiras, combate à capacidade financeira das facções, retomada de territórios e políticas preventivas.

No enfrentamento ao crime organizado, seu programa enfatiza a ideia de enfraquecer financeiramente as organizações criminosas e ampliar a integração das estruturas de segurança. Lula e Flávio Bolsonaro, apesar das profundas diferenças políticas, convergem em pontos como controle de fronteiras, isolamento de lideranças e enfraquecimento econômico das facções. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

Retomar um território não precisaria significar apenas retirar uma organização criminosa dele.

Poderia significar também perguntar:

o que ocupará aquele espaço depois?

Escola?

Saúde?

Cultura?

Trabalho?

Iluminação?

Transporte?

Estado?

Uma política de segurança pode vencer uma operação e ainda perder novamente o território alguns anos depois.


Flávio Bolsonaro — candidato à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, apresenta uma proposta fortemente concentrada no endurecimento da resposta ao crime.

Entre as medidas apresentadas estão redução da maioridade penal para 16 anos, responsabilização a partir dos 14 em crimes graves, novos presídios federais, endurecimento da execução das penas e classificação de facções criminosas como organizações terroristas ou narcoterroristas. (Folha de S. Paulo)

Sua estratégia também enfatiza vigilância, controle territorial e combate financeiro às organizações criminosas. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

Uma política baseada em retirar integrantes das organizações criminosas pode ganhar uma segunda métrica:

quantas pessoas deixaram de ser recrutadas para substituí-los?

Se uma liderança é presa, outra pessoa pode ocupar seu lugar.

Por isso, repressão e prevenção não precisam ser alternativas.

Podem ser duas etapas diferentes de uma mesma política.


Romeu Zema — candidato à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Romeu Zema, candidato à Presidência pelo Novo, coloca endurecimento penal e enfrentamento às facções entre suas propostas de segurança.

Durante o início da campanha, defendeu a construção de um grande presídio para líderes de organizações criminosas, leis mais duras e ampliação da estrutura prisional. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

Além de perguntar quantos criminosos foram retirados de circulação, poderíamos acompanhar:

quanto controle territorial a organização perdeu?

E ainda:

quanto desse território passou efetivamente a ser ocupado por instituições legítimas?

Uma delegacia pode estar presente sem que escola, saúde, transporte, trabalho e confiança institucional estejam.

O Estado pode estar fisicamente presente e continuar socialmente ausente.


Ronaldo Caiado — candidato à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD, transformou Segurança Pública em um dos principais eixos de sua candidatura.

Sua proposta enfatiza integração das forças policiais, inteligência, combate econômico às facções, fortalecimento das fronteiras e endurecimento contra organizações criminosas. Caiado também defende classificar grandes facções como organizações terroristas. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

Uma política poderia medir simultaneamente duas coisas:

criminosos retirados das organizações

e

pessoas que deixaram de entrar nelas.

A primeira mede capacidade repressiva.

A segunda começa a medir capacidade preventiva.

Não são a mesma coisa.


Renan Santos — candidato à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, apresenta uma agenda de forte transformação institucional.

No campo da Segurança Pública, sua candidatura defende medidas como superpresídios e uma resposta bastante dura às facções criminosas. A candidatura integra esse eixo a reformas mais amplas do Estado. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

Mesmo uma intervenção capaz de romper rapidamente o domínio armado de uma organização deixa uma pergunta:

como evitar que aquele domínio seja reconstruído?

A sequência poderia deixar de ser apenas:

operação → prisão

e se tornar:

operação → retomada → serviços → circulação → economia legal → permanência institucional.


Augusto Cury — candidato à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante, apresenta propostas que relacionam Segurança Pública ao uso de tecnologia, inteligência artificial, educação emocional e cultura de paz.

Seu programa diferencia-se por colocar saúde emocional e educação socioemocional em posição central dentro de sua visão de governo. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

A inteligência artificial pode ser usada para localizar padrões de criminalidade.

Mas poderia também ajudar a reconhecer padrões territoriais anteriores ao crescimento da violência:

evasão escolar,

violência doméstica,

recrutamento de jovens,

degradação de espaços públicos,

mudanças no comércio,

dependência química,

abandono institucional.

Tecnologia poderia servir não apenas para localizar quem cometeu o crime, mas para perceber onde estão surgindo condições para que mais crimes aconteçam.


Clariana Barão — candidata à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Clariana Barão, candidata à Presidência pela DC, coloca entre suas prioridades proteção social, segurança de mulheres e crianças e modernização das estruturas do Estado. Sua plataforma também aborda controle de fronteiras e combate econômico às organizações criminosas. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

Seguir o dinheiro das facções é fundamental.

Corpo-Território acrescentaria:

seguir também o território.

Onde o dinheiro ilegal financia recrutamento?

Onde substitui a economia formal?

Onde passa a definir relações comunitárias?

Onde uma organização criminosa deixa de ser apenas um grupo que vende produtos ilegais e passa a determinar como as pessoas vivem?


Edmilson Costa — candidato à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Edmilson Costa, candidato à Presidência pelo PCB, apresenta a segurança dentro de um projeto mais amplo de transformação socialista do Estado.

Seu campo político relaciona a violência também às desigualdades estruturais e defende uma reorganização profunda das instituições responsáveis pela Segurança Pública. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

Existe aqui uma aproximação importante com a ideia de que violência não pode ser compreendida apenas como comportamento individual.

Mas Corpo-Território exigiria também mensuração.

Se transformarmos as condições econômicas e sociais de determinado território:

a violência diminuiu?

o medo diminuiu?

o recrutamento diminuiu?

a liberdade de circulação aumentou?

Uma hipótese social também precisa conseguir encontrar evidências.


Hertz Dias — candidato à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Hertz Dias, candidato à Presidência pelo PSTU, apresenta propostas de ruptura com o modelo atual, incluindo desmilitarização das polícias e mudanças profundas na política sobre drogas. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

Alterar instituições policiais muda uma parte do sistema.

Mas não necessariamente modifica automaticamente:

mercados ilegais,

recrutamento,

dependência química,

violência doméstica,

controle territorial,

desigualdade de oportunidades.

Nossa pergunta permaneceria:

qual configuração territorial produz mais liberdade real para quem vive naquele lugar?


Rui Costa Pimenta — candidato à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Rui Costa Pimenta, candidato à Presidência pelo PCO, apresenta uma proposta de transformação radical das instituições, incluindo dissolução das polícias militares e defesa do direito ao armamento da população. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

Independentemente da discussão sobre quem deveria possuir capacidade de defesa, existe uma pergunta anterior:

por que determinados corpos precisam viver permanentemente preparados para a violência?

Uma política territorial poderia buscar reduzir progressivamente a necessidade cotidiana de conviver com medo, ameaça e coerção.


Samara Martins — candidata à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Samara Martins, candidata à Presidência pela Unidade Popular, relaciona Segurança Pública às condições de vida da classe trabalhadora, à reorganização das forças policiais e ao enfrentamento da violência contra as mulheres. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

A violência contra mulheres mostra algo fundamental:

território não é apenas uma rua, bairro, cidade ou floresta.

Uma casa pode ser um território de proteção.

Mas também pode se transformar em território de vigilância, dependência e violência.

Segurança precisa perguntar:

este corpo consegue circular, decidir e existir com autonomia dentro dos territórios de que participa?


Wilson Grassi — candidato à Presidência: plano de governo para Segurança Pública em 2026

Wilson Grassi, candidato à Presidência pelo Democrata, apresenta entre suas propostas o enfrentamento financeiro às facções e a possibilidade de consulta popular sobre modelos de presídios de alta segurança. (Folha de S. Paulo)

O que Corpo-Território acrescentaria?

Enfraquecer a economia do crime cria outra questão:

qual economia entra no lugar dela?

Uma comunidade precisa conseguir trabalhar, produzir, circular e sobreviver sem depender de estruturas ilegais.

Por isso segurança também encontra economia.


Pablo Marçal — candidato à Presidência nas Eleições 2026

Pablo Marçal, candidato à Presidência pelo PRTB, integra a relação atual das candidaturas presidenciais. Entretanto, na consulta jornalística publicada logo após o encerramento do registro, ainda não havia um plano de governo disponível na plataforma oficial para que pudéssemos atribuir com segurança uma proposta específica sobre Segurança Pública. (Folha de S. Paulo)

Por isso, aplicamos aqui uma regra que será mantida em toda esta série:

quando não encontrarmos uma proposta verificável no documento oficial, não preencheremos o espaço com aquilo que imaginamos que o candidato pensa.

A seção deverá ser atualizada se um plano oficial estiver disponível.


Treze candidatos à Presidência. Uma pergunta que pode ser feita a todos.

Os planos dos candidatos à Presidência em 2026 partem de conceitos muito diferentes.

Alguns enfatizam:

prisão,

penas,

polícia,

Forças Armadas,

fronteiras.

Outros enfatizam:

inteligência,

mudanças nas polícias,

prevenção,

desigualdade,

educação,

reorganização institucional.

Não precisamos transformar essas diferenças em uma competição neste artigo.

Podemos fazer a mesma pergunta a todos:

O Estado está chegando antes de quem pretende controlar o território?

Uma organização criminosa não controla determinado lugar somente porque possui armas.

Em alguns contextos, pode passar a oferecer:

renda,

proteção,

crédito,

regras,

punição,

identidade,

pertencimento,

intermediação de conflitos.

Quando isso acontece, estamos discutindo mais do que criminalidade.

Estamos discutindo poder sobre um território.


A América Latina já nos ensinou a pensar corpo, violência e território juntos

A construção dessa pergunta não precisa começar somente em referências dos Estados Unidos ou da Europa.

A antropóloga argentina Rita Laura Segato, com longa trajetória acadêmica no Brasil, estudou violência, soberania, masculinidade e territorialidade a partir dos assassinatos de mulheres em Ciudad Juárez, no México.

Sua análise ajuda a compreender que determinadas formas de violência não atingem apenas um indivíduo: elas também podem funcionar como demonstração de poder sobre corpos e territórios. (UnB Repository)

Outra contribuição fundamental vem da pensadora e ativista maya-xinka guatemalteca Lorena Cabnal e do feminismo comunitário territorial.

Nessa tradição latino-americana, a defesa do território-terra aparece ligada à defesa do território-corpo. A experiência das mulheres indígenas na Guatemala ajudou a construir uma leitura na qual violência, colonialidade, corpo, comunidade e território não podem ser facilmente separados. (AmeliCA Portal)

O modelo Corpo-Território 5D da BrainLatam não é idêntico a essas formulações.

Mas existe um diálogo importante:

quanto perdemos quando analisamos uma violência retirando o corpo da história e o indivíduo do território em que sua percepção foi construída?


Neurociência Decolonial: o cérebro participa, mas não participa sozinho

A Neurociência Decolonial que propomos não pretende retirar o cérebro da discussão.

Pretende evitar que ele seja tratado como se percebesse o mundo sozinho.

O medo possui processos neurais.

A ameaça possui processos neurais.

A atenção possui processos neurais.

A tomada de decisão possui processos neurais.

Mas nenhum deles acontece fora de uma história.

Imagine duas crianças vendo a mesma viatura policial.

Para uma, aquela imagem pode representar proteção.

Para outra, pode representar ameaça.

O objeto visual é semelhante.

Mas ele encontra dois corpos com experiências anteriores diferentes.

O estímulo chega agora. A história chegou antes.

É nesse ponto que a Consciência 5D interessa à Segurança Pública.

Nossa percepção atual encontra espaços já parcialmente configurados pelas experiências anteriores.

Medo aprendido, relações comunitárias, violência testemunhada, confiança institucional, sonhos, linguagem, família e experiências territoriais participam daquilo que passa a ser percebido como ameaça ou proteção.

Isso não significa que percepção seja arbitrária.

Significa que perceber é também encontrar aquilo que já foi vivido.


Do cérebro isolado para cérebros em relação

A neurociência contemporânea também está criando instrumentos para observar interação humana de maneira mais próxima da vida real.

Estudos utilizando fNIRS hyperscanning, por exemplo, permitem registrar simultaneamente a atividade cortical de duas pessoas enquanto elas interagem.

Essa mudança metodológica é importante para nossa discussão porque desloca parte da pergunta de:

“o que acontece neste cérebro?”

para:

“o que acontece quando dois organismos interagem?”

Neurociência Decolonial acrescenta outra camada:

e onde esses organismos aprenderam a interagir dessa maneira?

Na família?

Na escola?

Na comunidade?

Em uma tradição religiosa?

Nas redes sociais?

Sob violência?

Dentro de uma comunidade originária?

Em uma favela?

Em um condomínio?

Em um território controlado por uma facção?

Em um território onde o Estado é confiável?

O cérebro continua sendo fundamental.

Mas ele deixa de aparecer como um órgão abstrato separado do mundo.


A proposta BrainLatam: Segurança Antes

Não propomos substituir polícia por assistência social.

Não propomos substituir prisão por educação.

Também não afirmamos que exista uma única causa para o crime.

Nossa proposta é outra:

Segurança deveria ser tratada também como uma propriedade do Corpo-Território.

Poderíamos organizar a política pública em três momentos.

1. Antes do crime

Acompanhar:

escola,

evasão,

saúde,

violência doméstica,

dependência,

renda,

oportunidades,

iluminação,

transporte,

cultura,

esporte,

confiança comunitária,

recrutamento de jovens,

presença de economias ilegais.

2. Quando o crime acontece

Fortalecer:

investigação,

inteligência,

polícia,

Justiça,

controle de fronteiras,

rastreamento financeiro,

proteção das vítimas,

sistema prisional.

3. Depois da retomada

Perguntar:

o que ficou?

Se uma operação termina e todas as condições anteriores continuam iguais, talvez o território continue disponível para outro grupo ocupar.


Um indicador novo: quantas pessoas não entraram para o crime?

Normalmente conseguimos contar:

prisões,

armas apreendidas,

drogas apreendidas,

operações,

mandados,

homicídios.

São indicadores importantes.

Mas Corpo-Território sugere outra categoria:

quantas trajetórias deixaram de ser capturadas pelo crime?

É muito mais difícil medir.

Mas talvez seja justamente aí que esteja parte do problema.

O que é fácil medir tende a ganhar orçamento.

O que acontece silenciosamente antes do crime pode permanecer invisível.


Segurança como liberdade real

Um território verdadeiramente seguro não seria simplesmente aquele onde existe maior capacidade de punição.

Seria aquele onde uma pessoa possui mais possibilidades reais de escolher sua trajetória.

Uma criança consegue brincar.

Um jovem pode circular entre bairros.

Uma mulher consegue terminar uma relação.

Uma família pode abrir um comércio.

Uma liderança comunitária pode discordar.

Uma comunidade indígena pode permanecer em seu território.

Uma pessoa pode recusar o convite de uma organização criminosa porque existem outras possibilidades reais de pertencimento, renda e futuro.

Isso aproxima Segurança Pública de algo maior:

liberdade vivida.

Não apenas liberdade escrita na lei.

Liberdade que o corpo consegue exercer no território.


A pergunta aos candidatos à Presidência nas Eleições 2026

Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Augusto Cury, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Pablo Marçal, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Wilson Grassi apresentam diferentes maneiras de pensar o próximo governo brasileiro.

Cada candidato à Presidência possui prioridades, instrumentos e concepções diferentes sobre Segurança Pública.

Nosso objetivo não é apagar essas diferenças.

Também não é escolher uma proposta em nome do leitor.

A Neurociência Decolonial e o Corpo-Território acrescentam apenas uma pergunta que pode ser feita igualmente a todos os planos de governo:

Depois de aplicar sua política de Segurança Pública, aquele Corpo-Território terá mais possibilidades de viver sem medo, sem coerção e sem depender de poderes ilegais do que possuía antes?

E acrescentamos uma segunda:

o Estado conseguirá perceber quando um território começa a perder essas possibilidades antes que o próximo crime aconteça?

Talvez seja essa a mudança fundamental.

Não abandonar a capacidade de chegar depois.

Mas desenvolver também a capacidade de chegar antes.

Porque uma política de segurança verdadeiramente transformadora talvez não seja medida apenas pela quantidade de crimes que consegue punir.

Talvez também precise ser medida pela quantidade de crimes que encontram cada vez menos condições para acontecer.


Referências e fontes para aprofundamento

Tribunal Superior Eleitoral. Base oficial de candidaturas e propostas de governo para Presidente nas Eleições 2026. (TSE Open Data Portal)

Folha de S.Paulo. Levantamento das 13 candidaturas à Presidência e principais propostas registradas nas Eleições 2026. (Folha de S. Paulo)

Folha de S.Paulo. Lula e Flávio Bolsonaro: estratégias distintas e convergências no enfrentamento financeiro, territorial e prisional das facções. (Folha de S. Paulo)

UOL. Propostas de Flávio Bolsonaro para Segurança Pública, incluindo maioridade penal e endurecimento das penas. (UOL Notícias)

Folha de S.Paulo. Propostas de Romeu Zema relacionadas a superpresídio e endurecimento penal. (Folha de S. Paulo)

Segato, Rita Laura. Território, soberania e crimes de segundo Estado: a escritura nos corpos das mulheres de Ciudad Juárez. Universidade de Brasília / Revista Estudos Feministas. (UnB Repository)

Corpo-território e feminicídio. Estudo latino-americano publicado em 2026 discutindo Rita Segato e contribuições dos feminismos indígenas e comunitários para compreender violência, poder e território. (AmeliCA Portal)

Cabnal, Lorena e feminismo comunitário territorial. Discussões sobre corpo-território, território-terra, mulheres indígenas maya-xinka e defesa da vida na Guatemala. (AmeliCA Portal)





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